Mensagem do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

20/06/2008

 

AIDS

  

   

De 3 a 5 de maio último teve lugar em Roma um Fórum promovido pela União de Superiores Gerais e a União Internacional das Superioras Gerais. O encontro reuniu representantes de congregações religiosas empenhadas em evitar a difusão do vírus da AIDS. Nessa oportunidade, foram apresentados os resultados de uma pesquisa realizada em colaboração com a Agência das Nações Unidas para a luta contra a AIDS (ONUSIDA) e com a Universidade de Georgetown. Sob o título “um serviço de amor”, revela a análise global do empenho dos institutos religiosos espalhados em todo o mundo contra a praga dessa doença. Segundo o informe, há países pobres nos quais os cristãos proporcionam até 40% dos serviços de saúde, mas não têm voz e são deixados sozinhos no combate ao mal, com escassos recursos.

A AIDS é uma pandemia que, em dezembro de 2007, segundo estimativas, afetava mais de 33 milhões de pessoas no mundo. Houve 3 milhões de mortes apenas naquele ano.

Segundo a ONUSIDA, em 2005 mais de 15 milhões de jovens menores de 18 anos ficaram órfãos por causa do vírus e mais de 12 milhões deles residiam na África subsaariana.

Os jovens abaixo dos 25 anos – o futuro da humanidade – constituem a metade dos novos infectados do planeta. A China e a Índia, simplesmente por causa do aumento exponencial do número dos habitantes, são os países que correm o risco mais elevado.

Desde o início da pandemia, os institutos religiosos católicos assumiram um papel fundamental ao cuidar diretamente dos enfermos e pessoas infectadas, na prevenção do HIV entre a população. Em seguida, assinala os fatores culturais, políticos e sócio-econômicos que contribuem tanto para proliferação da síndrome como às suas conseqüências.

Os participantes representaram cerca de dois mil institutos de vida consagrada na União de Superiores Gerais e na União Internacional das Superioras Gerais: um exército de sacerdotes e religiosos aos quais se somam três milhões de leigos que, em estreita colaboração, trabalham em cerca de mil hospitais, em mais de cinco mil dispensários e em 800 orfanatos (só na África).

Todos estes dados tornam finalmente visível, através do informe apresentado neste Fórum, um extraordinário serviço do amor. Essas cifras são impressionantes.

No “Lexicon” de termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, publicado pelo Pontifício Conselho para a Família, o título “Sexo seguro” trata do assunto de maneira exaustiva. É um contra-senso fazer a afirmação de o sexo ser “seguro” quando se constata a possibilidade de rompimento do preservativo em uso. Esse risco de contágio é tanto mais grave pela ilusão de segurança, estimulada pela propaganda enganosa.

O Padre Jacques Suaudeau, que também é médico e especialista nesse assunto, assim se expressa (Lexicon, pág. 882): “O discurso oficial sobre a prevenção do contágio sexual para HIV/AIDS praticamente limitou-se, já há 20 anos, à promoção do preservativo, no quadro ‘sexo seguro’. De qualquer modo, com o preservativo não se deveria falar de ‘prevenção’ verdadeira, mas sim de proteção, ou de paliativo, uma vez que o problema de fundo o gerador da doença permanece. Servir-se de um preservativo para se proteger contra o HIV significa, na verdade, jogar na ‘roleta russa’. Ainda mais se multiplicarão as experiências sexuais, pela persuasão oferecida pelo profilático, e mais aumentará a probabilidade do contágio. No fim das contas, quem levará a melhor é o HIV. Por isso, no campo do HIV/AIDS, o risco de contrair a infecção, pela convicção de que se está protegido pelo preservativo, mesmo reduzido a 10%, é excessivo. Não existe ‘safe sex’. Não há senão uma curva de probabilidade que deixa pender uma ‘espada de Dâmocles’ sobre a cabeça de todos aqueles que confiam na falsa segurança do preservativo”. E conclui: “A única estratégia totalmente eficaz em relação ao HIV é a abstinência ou as relações sexuais no matrimônio monogâmico e a fidelidade”.

O congressista republicano por New Jersey, Chris Smith, declarou clara evidência de êxito que os programas de prevenção da SIDA têm na África, baseado na abstinência e na fidelidade. Segundo um informe publicado pela revista “Science” de fevereiro de 2006, a taxa da SIDA/HIV no Zimbábue, entre 17 e 29 anos, diminuiu em 23% de 1998 a 2003. Entre as mulheres de 15 a 24 anos diminuiu em 49%. No “British Medical Journal”, Stephen J. Genuis declara: “Depois das contínuas falhas, o suposto ‘sexo seguro’ deve ser substituído, por uma política sanitária que mereça crédito”. Está em jogo a vida humana.

Um novo informe intitulado “Abstinência Educação”, apresentado em 22 de abril, examinou 21 estudos sobre programas de educação para a abstinência, concluiu serem eficazes para reduzir a idade na iniciação sexual. Um outro informe para a Fundação Heritage dá os resultados de diversos programas educativos. De 15 deles que fomentavam a abstinência, 11 demonstravam eficácia. Mais especificamente, de seis que animavam os jovens a assumir o compromisso de manterem-se virgens até o matrimônio, cinco eram eficazes.

Também na África, em Uganda, Quênia e Zimbábue foi demonstrada a eficácia das campanhas sobre a abstinência sexual e a fidelidade no casamento.

Esses dados são uma amostragem do que pode ser realizado pela educação em favor da abstinência sexual e fidelidade no matrimônio, na luta contra a epidemia do HIV/SIDA. A solução para o grave problema dessa enfermidade não está no preservativo, mas na abstinência sexual e na fidelidade no casamento.