Mensagem do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales
Arcebispo
Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro
07/03/2008
MISSÃO DE SÃO JOSÉ
A Semana Santa oferece excelente oportunidade para um reexame de nossa vida religiosa e ocasião propícia a um maior aperfeiçoamento de nossa existência, seguindo o exemplo de Cristo Jesus. Para isso, tomemos por modelo um homem, cuja vida, embora nos sejam narrados poucos dados, sabemos ter sido fiel aos desígnios divinos. Trata-se de São José, exemplo para cada católico como protetor da Igreja, Corpo Místico de Cristo.
Neste mês, tradicionalmente consagrado a esse Patriarca, a sua festa é, há séculos, celebrada a 19 de março, mas, neste ano, por ocorrer na Quarta-feira santa, será antecipada para 15 de março. Ele assume de fato o papel de esposo da Virgem Maria e de pai legal do Senhor Jesus.
À sua figura e à sua missão o Papa João Paulo II dedicou a Exortação Apostólica “Redemptoris Custos” (“O Protetor do Redentor”), publicada a 15 de agosto de 1989. Relembra o documento como os cristãos, desde os primeiros séculos, dedicaram a este santo uma particular devoção, pois “assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº 1).
Os Evangelhos pouco falam de José. Ele é apresentado como um “homem justo” (Mt 1,19), cuja vocação sublime é revelada pelo Anjo: “José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,20-21).
O santo Patriarca é cabeça da Sagrada Família. Diante dos homens ele cumprirá essa missão com fidelidade e modéstia, como tantos que, desde sempre, se consagram ao lar com um amor vigilante e um serviço permanente e abnegado. Com Maria, está intimamente associado ao mistério do Verbo encarnado, colaborador também dos planos salvíficos do Pai realizados pela Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
Hoje se fala tanto de crise matrimonial. Nazaré, no entanto, nos recorda a
importância fundamental da instituição familiar no desenvolvimento harmonioso e
integral da personalidade humana. De Jesus, comentam os seus contemporâneos:
“Não é o filho de José, o carpinteiro?” (Mt 13,55). Dele Jesus herda a
profissão, pobre mas honesta, e se insere concretamente no mundo dos homens; bem
como cultua todo o amor natural e a solicitude afetuosa que o coração paterno
pode e sabe exprimir.
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