VOZ
DO PASTOR
CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro
04 de Março de 2008
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2008 – CONTINUAÇÃO
Permitam-me voltar ao tema da Campanha da Fraternidade. Seu tempo forte vai da Quarta-Feira de Cinzas até à Páscoa, como orientação para o nosso empenho de conversão quaresmal, mas ela deve se estender por todo o ano, frutificando na evangelização.
O tema “Fraternidade e Defesa da Vida” nos aponta duas perspectivas: a defesa da vida, como primeira iniciativa que, necessariamente, deve levar à promoção da vida, para fazê-la atingir sua autêntica dignidade humana. Daí o lema “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19) que, juntamente com a exortação divina, contém a promessa da bênção para os que a acolherem: “Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a Ele” (Dt 30,19-20).
Os textos evangélicos deste tempo litúrgico nos encaminham, exatamente, para esta maior união com Deus, pela amorosa obediência aos seus preceitos. A seqüência das passagens começa pelas tentações que Jesus teve que enfrentar, no deserto (cf. Mt 4,1-11 e paralelos).
A primeira tentação foi a do gozo, do prazer, porta para a exaltação dos vícios. Contra isso Jesus mostra que é preciso firmar-se naquilo que Deus nos dá, através da sua graça, da sua intervenção em nossas vidas, das iluminações que nos concede, sobrepondo-as a tudo o que a natureza nos possa apresentar, como exigência ou atração.
Depois vem a tentação do orgulho, que é como um desdobrar-se sobre si mesmo, em função das próprias qualidades, tornando-se incapaz de enxergar os outros. Jesus, ao contrário, recusa qualquer exibicionismo, que o levaria a prevalecer-se de sua condição divina. Nesta mesma linha, João Batista refere-se a Jesus: “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Esta é a vivência do Evangelho, recomendada a todos nós, de contribuirmos para a promoção do outro, antes de nosso próprio interesse.
Finalmente, manifesta-se a tentação do poder, que atinge a todos os que se encontram em posições de comando e liderança na sociedade, em qualquer área, até mesmo na religião. Iludir-se com as lisonjas e facilidades que o poder oferece significa deixar-se dominar, tornando-se servo, ao invés de senhor. A verdadeira autoridade, que emana de Deus, se exerce como serviço aos demais, de acordo com as atribuições.
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