Aula 1231
Meus amigos, Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina que
recebemos o perdão na medida em que também nós já perdoamos a quem nos ofendeu.
2839 Com audaciosa confiança começamos a rezar ao nosso Pai. Ao
suplicar-lhe que seu nome seja santificado, lhe pedimos a graça de sempre mais
ser santificados. Embora revestidos da veste batismal, nós não deixamos de
pecar, de desviar-nos de Deus. Agora, neste novo pedido, nós voltamos a ele,
como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o
publicano. Nosso pedido começa por uma "confissão" onde declaramos,
ao mesmo tempo, nossa miséria e sua Misericórdia. Nossa esperança é firme,
porque, em seu Filho, "temos a redenção, a remissão dos pecados" (CI
1,14; Ef 1,7). Encontramos o sinal eficaz e indubitável de seu perdão nos
sacramentos de sua Igreja.
(Catecismo da Igreja Católica)
Comentário:
- Na parábola do Filho Pródigo Nosso Senhor
Jesus Cristo fala de modo vivo e eloqüente do perdão e da misericórdia.
Encontramo-la em Lucas 15, 11-32.
- "O homem, - cada um dos homens -
é este filho pródigo: fascinado pela tentação de se separar do Pai para viver
de modo independente a própria existência: caído na tentação; desiludido do
nada que, como miragem, o tinha deslumbrado; sozinho, desonrado e explorado no
momento em que tenta construir um mundo só para si; atormentado, mesmo no mais
profundo da própria miséria, pelo desejo de voltar à comunhão com o Pai. Como o
pai da parábola, Deus fica à espreita do regresso do filho, abraça-o à sua
chegada e põe a mesa para o banquete do novo encontro, com que se festeja a
reconciliação.
0 que nesta parábola sobressai mais é o acolhimento
festivo e amoroso do pai ao filho que regressa: imagem da misericórdia de Deus
sempre pronto a perdoar.
0 homem - cada um dos homens - é também este irmão
mais velho. 0 egoísmo torna-o ciumento, endurece-lhe o coração, cega-o e leva-o
a fechar-se aos outros e a Deus. A benignidade e a misericórdia do pai
irritam-no e incomodam-no; a felicidade do irmão reencontrado tem um sabor
amargo para ele. Também sob este aspecto ele precisa de se converter para se
reconciliar" .
(João Paulo II- Reconciliação e Penitência, 5 e 6)
- "A parábola mostra a imensa
misericórdia de Deus para com o homem pecador, mas também as disposições do
pecador para encontrar misericórdia. 0 filho pródigo cai em si, reconhece a
culpa, arrepende-se, resolve acabar com ela, voltar ao pai e confessar-lhe os
pecados; sabe-se indigno de ser acolhido como filho, todavia volta confiante na
bondade paterna.
A parábola também fala da misericórdia de Deus para
com os filhos que ficaram em casa, fiéis a seus deveres, mas um pouco
mesquinhos, pobres de amor. 0 costume os torna insensíveis ao benefício de
viver na casa paterna, de gozar da contínua companhia do Pai, por isso pecam de
desamor para com ele.
Também esses filhos precisam da misericórdia de Deus
para se curar de seu pecado, tanto mais perigoso quanto menos reconhecido. E
Deus os trata com a mesma misericórdia com que trata os filhos pródigos. Eis o
pai a sair ao encontro do filho mais velho que, indignado, não quer entrar em
casa; insiste com ele, escuta-Ihe o desabafo.
O filho mais velho também precisa confessar seu
pecado. Confessá-lo com coração humilde e contrito, por ter vivido tanto tempo
na casa do pai e não ter ainda compreendido o mistério de seu amor. Perseverar
no serviço de Deus é ótimo! Deus não quer porém, serviços de mercenários, mas
de filhos, e os filhos devem servir com amor ."
Resumo:
2862 O quinto pedido implora a misericórdia de Deus para nossas ofensas,
misericórdia que só pode penetrar em nosso coração se soubermos perdoar os
nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo.
(Catecismo da Igreja Católica)
Para refletir:
1)
Amigo ouvinte, Nosso Senhor Jesus
Cristo ensina que só é seu discípulo quem se alegra com a conversão do irmão,
trabalha e se sacrifica para que este encontre a fé e salvação, vivendo na graça.
É preciso abrir o coração com bondade e misericórdia semelhantes à de Deus.
2) Todos somos pecadores. Diz o Salmo 142: "Não entreis em juízo com o Vosso servo porque
ninguém que vive é justo diante de Vós" (SI142,2).
Felizes aqueles
que humildemente reconhecem sua fraqueza é sentem necessidade de se converter
cada vez mais ao amor do Pai e dos irmãos.
Oração:
Ó Jesus, sou infelizmente filho pródigo que dissipou vossas riquezas: dons naturais e sobrenaturais e me reduzi à mais infeliz condição porque fugi para longe de Vós.
Ó
Verbo, por quem todas as coisas foram feitas e sem Vós, Senhor, todas as coisas
são
um
mal porque nada são. Sois o Pai amorosíssimo que me acolhestes, festejastes
quando,
regenerado de meus erros, voltei à Vossa casa, procurei de novo refúgio à Vossa
sombra
e em Vossos braços. Recuperastes-me como filho e me admitistes à Vossa mesa,
às
vossas alegrias! De novo me chamastes a participar de vossa herança!...
Eis-me
aqui no Vosso Coração. Que quereis que eu faça?
(João XXIII)
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