Aula 1223

 

Meus amigos, pedimos no Pai Nosso que se realize o desígnio amoroso do Pai na terra, como já acontece no céu.

2824                          No Cristo, e por sua vontade humana, a Vontade do Pai foi realizada completa e perfeitamente e uma vez por todas. Jesus disse, ao entrar neste mundo: "Eis-me aqui, eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade"(Hb 1 O, 7; SI 40, 7). Só Jesus pode dizer: "Faço sempre o que lhe agrada" (Jo 8,29). Na oração de sua agonia ele consente totalmente com esta vontade: "Não a minha vontade, mas a tua seja feita!" (Lc 22,42). É por isso que Jesus "se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, segundo a vontade de Deus" (GI 114), "Graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo" (Hb 10' 10).

(Catecismo da Igreja Católica)

Comentário:

-           " Jesus tinha um interesse profundo em fazer a vontade do seu Pai. Repetidas vezes Ele nos disse que tinha vindo fazer o que o Pai lhe tinha pedido para fazer. Numa ocasião, Ele disse: 'Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou' (Jo 4,34). 'Eis-me aqui (está escrito no rolo do livro a meu respeito) para fazer, ó Deus, atua vontade' (Hb 10' 7).

Esta é uma atitude importantíssima que devemos ter, ao entrarmos em oração.

Jesus sentiu o terrível sofrimento da previsão de sua paixão, no horto do Getsêmani. Além disso, ele previa a 'inutilidade' de seus sofrimentos para muitos. Conhecia a indiferença, a ingratidão e a hostilidade aberta que teria de sofrer no seu Corpo, através dos tempos. Este sofrimento terrível fê-lo exclamar: 'Abá, Pai, tudo te é possível: afasta de mim este cálice!' Em seguida, temos o exemplo de sua divina resignação: 'mas não se faça o que eu quero, senão o que tu queres' (Mc 14,36)".

-           "Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Deus, tem uma só vontade com o Pai, mas enquanto homem tem sua vontade distinta da vontade do Pai. Foi falando desta vontade que declarou: não faço a minha vontade, mas a de meu Pai. E por isso nos ensinou a rezar e a pedir: 'seja feita a vossa vontade' ".

(Santo Tomás de Aquino)

-           "Jesus conduz os Seus 'para o Pai', criando um claro modelo de vida orientada para o Pai. "Eu observei o mandamento de Meu Pai e permaneço no Seu amor'. E Jesus considera Seu 'alimento' este permanecer no amor' do Pai - isto é, o cumprimento da sua vontade: 'O Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a Sua obra' (Jo 4,34). Assim Ele diz aos Seus discípulos junto do poço de Jacob, em Sicar. E já antes, no diálogo com a Samaritana, Ele indicou que o mesmo 'alimento' deverá tornar-se a herança espiritual dos Seus discípulos e seguidores: 'Mas vai chegar a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses adoradores que o Pai deseja' (Jo 4,23).

0 conceito do 'alimento' de Cristo, que durante a Sua vida foi o cumprimento da vontade do Pai, introduz-nos no mistério da Sua obediência, que chegou até à morte na Cruz. Foi então um alimento amargo, com se nota sobretudo durante a oração no Getsêmani, e depois, no decurso de toda a paixão e da agonia da cruz: 'Abba, Pai, tudo Te é possível, afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres' (Mc 14,36). Para compreender esta obediência, para compreender também porque é que este 'alimento' havia de ser tão amargo, é preciso observar toda a história do homem sobre a terra, assinalada pelo pecado, ou seja pela desobediência a Deus, Criador e Paio 'O Filho que liberta' (cf. Jo 8,36), liberta portanto mediante a Sua obediência até à morte. E o faz, revelando até ao fim a Sua dedicação cheia de amor: 'Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito' (Lc 23,46)0 Neste doar-Se, neste completo 'abandonar-Se' ao Pai impõe-se sobre toda a história da desobediência humana a contemporânea união divina do filho com o Pai: 'Eu e o Pai somos um' (Jo 10,30). E aqui exprime-se aquilo que podemos definir o perfil central da imitação, à qual o homem é chamado em Cristo: 'todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe' (Mt 12,50; também Mc 3,35).

 (João Paulo 11- L' Osservatore Romano de 28-08-88)

Resumo:

2860                          No terceiro pedido rezamos ao nosso Pai para que una nossa vontade à do seu Filho, afim de realizar seu plano de salvação na vida do mundo.

(Catecismo da Igreja Católica)

Para refletir:

1)        Amigo ouvinte, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a obediência perfeita, vai desde a disponibilidade que diz: "eis que eu venho para fazer a Tua vontade" (SI 39,9) até o total sacrifício que leva a clamar "Pai, se é de teu agrado, afasta de Mim esse cálice! Não se faça todavia a minha vontade, mas sim atua" (Lc 22,42).

 

 

2)        Aceitemos nossa cruz em união com Jesus, como Ele, para sermos dignos discípulos do Divino Mestre.

Oração:

Rezemos com o Padre Charles de Foucauld ao Pai:

"PAI

ponho-me em tuas mãos; faze de mim o que quiseres.

Aconteça o que acontecer, agradeço-te.

Estou disposto a tudo.

Aceito tudo, contanto que tua vontade se cumpra em mim

E em todas as tuas criaturas.

Não desejo nada mais, Pai.

Confio-te a minha alma, dou-a, Pai, a ti com todo o amor de que sou capaz,

porque te amo e necessito dar-me, pôr-me em tuas mãos sem medida,

Com uma infinita confiança

porque tu és meu Pai."

(Charles de Foucauld)