Aula 1213

Meus amigos, dizemos na oração que a Pai está no Céu porque sua majestade poder ultrapassam tudo a que podemos conceber a respeito de Sua santidade.

 

2795                 0 símbolo dos céus nos remete ao mistério da Aliança que nós vivemos quando rezamos ao nosso Pai, Ele está nos céus, que são sua Morada; a Casa do Pai é, portanto, nossa “pátria”. Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar. Ora, é o Cristo que o Céu e a terra são reconciliados, pois o Filho “desceu do céu”, sozinho, e para que nos faz subir com ele, por sua Cruz, sua Ressurreição e Ascensão.

 

 

2796                 Quando a Igreja reza “Pai nosso que estais nos céus”, professa que nós somos o Povo de Deus já “assentados nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2,6), “escondidos com Cristo em Deus” (CI 3,3), e, ao mesmo tempo, “gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste” (2Cor 5,2).

 

 

Os cristãos estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam sua vIda na terra, mas são cidadãos do Céu.

(Catecismo da Igreja Católica)

 

 

Comentário:

-           Santa Teresa de Jesus, em sua meditação sobre o Pai Nosso, diz:

 

“Onde está o rei, aí está a corte, coma se diz. Ora, como sabeis, Deus está em toda parte. Onde está Deus, aí está o céu. Por conseguinte, podeis crer, e não há menor dúvida, onde está Sua Majestade, aí está toda a glória.

 

Por isso, diz santo Agostinho que buscava o Senhor em muitas partes e veio a acha-lo dentro de si mesmo.

 

Será de pouca importância para uma alma dissipada compreender esta verdade e ver que, para falar a seu Pai eterno e alegrar-se com sua companhia, não tem necessidade de ir ao céu, nem de clamar em altas vozes?

 

Por baixinho que fale, está ele tão perto que sempre nos ouvirá. Para ir buscá-lo não precisa de asas: basta pôr-se em solidão e olhá-lo dentro de si mesma.

 

Não estranhe tão bom hóspede. Fale-lhe como a um pai, com grande humildade. Peça-lhe como a um pai. Conte-lhe seus sofrimentos e implore remédio para eles, entendendo que não digna de ser sua filha.

 

Deixe-se de timidez, de uns retraimentos que têm carIas pessoas, imaginando ser humildade. Sim, porque não consiste a humildade em rejeitar o favor que vos faz o rei, senão pelo contrário em aceitá-lo e aprecia-lo, entendendo quanto está acima dos vossos merecimentos.

 

Deus mesmo ensinar-vos-á o que haveis de fazer para contentá-lo”.

 

Nossa vida é um caminhar para a casa do Pai, a Jerusalém celeste:

 

“Eis aqui a Tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com ales e serão o Seu povo e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda Iágrima de seus olhos e já não haverá morte nem luto, nem grito de dor, porque passou a primeira condição” (Apc 21,3s).

 

É preciso viver de fé e caminhar corajosamente porque Aquele que está na altura ao mesmo tempo nos oferece sua intimidade: “porque n’Ele que temos a vida, o movimento e o ser” (At 17,28).

 

Resumo:

2802                 “Que estais nos céus” não designa um lugar mas a majestade de Deus e sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria para onde nos dirigimos e à  qual já pertencemos.

(Catecismo da Igreja Católica)

 

 

Para refletir:

 

1)         Amigo ouvinte, quem procurar recolher-se no pequeno céu de sua alma, onde mora Aquele que o criou e também criou o céu e a terra conseguirá superar as distrações na oração.

 

“O Senhor não nos constrange, aceita o que lhe oferecemos. Contudo não se dá todo enquanto não nos damos de todo a Ele” (Santa Teresa d’Ávila).

 

 

2)         Nosso Senhor Jesus Cristo veio reconciliar as coisas da terra com as do céu. Aquelas que não podem ser reconciliadas devem ser abandonadas.

 

 

0ração:

 

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Do alto do céu ele nos abençoou com toda a benção espiritual em Cristo,

escolhendo-nos nele antes da criação do mundo,

para sermos irrepreensível diante de seus olhos.

Predestinou-nos no seu amor,

para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo,

segundo a determinação da sua vontade,

para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça,

que nos foi concedida por ele no Bem Amado.

Ë nesse Filho, pelo seu sangue, que temos a redenção, a remissão dos pecados,

segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós

numa plenitude de sabedoria e de prudência.

Fez-nos conhecer o misterioso desígnio de sua vontade que,

Em sua benevolência, ele formara desde sempre.

(Ef 1,3-10)