Aula 1072

 

Meus amigos, toda falta cometida contra a verdade exige reparação.

 

IV. O respeito à verdade

 

2488               O direito à comunicação da verdade não é incondicional. Cada um deve conformar sua vida com o preceito evangélico do amor fraterno. Este requer, nas situações concretas, que se avalie se é conveniente ou não revelar a verdade àquele que a pede.

 

2489               A caridade e o respeito à verdade devem ditar a resposta a todo pedido de informação ou de comunicação. O bem e a segurança do outro, o respeito à vida privada, o bem comum são razões suficientes para se calar aquilo que não deve ser conhecido, ou para se usar uma linguagem discreta. O dever de evitar o escândalo impõe muitas vezes uma estrita discrição. Ninguém é obrigado a revelar a verdade a quem não tem o direito de conhecê-la.

(Catecismo da Igreja Católica)

 

Comentário:

 

-           “A veracidade não exige que sempre digamos tudo o que pensamos. Muitas vezes, por prudência ou caridade, devemos calar, como por exemplo, para guardar um segredo, ou para não melindrar outra pessoa” .

 

-           É possível não mentir e/ao mesmo tempo, evitar a verdade dolorosa, prejudicial e destruidora. A veracidade não deve ser ocasião de destruição da vida ou dos sentimentos alheios.

 

-           O catecismo menciona três razões suficientes para discrição:

 

O bem e a segurança do outro - devem ser avaliados antes de se fazerem determinados comentários e revelações.

O respeito à vida privada - Todos têm direito à sua privacidade e a família é o espaço onde a pessoa convive com espontaneidade. O que se passa no interior de um lar não deve ser divulgado irresponsavelmente, de modo especial por quem partilha de. confiança da família.

            O bem comum - Tudo o que se diz tem que ser verdade mas não existe a obrigação de dizer toda a verdade que sabemos. Há pessoas curiosas que fazem perguntas indiscretas e outras que se servem de informações obtidas, muitas vezes com astúcia, para prejudicar o próximo. Nesses casos, é lícito dar respostas evasivas.

 

-           Portanto, a fraqueza deve estar sempre unida à discrição. que nos leva a respeitar o próximo, não o ferindo e não dando ao mal a oportunidade de prevalecer sobre o bem.

 

 

Resumo:

 

2510               A regra de ouro ajuda a discernir, nas situações concretas, se convém ou não revelar a verdade àquele que a pede.

(Catecismo da Igreja Católica)

 

 

Para refletir:

 

1)        Amigo ouvinte, há pessoas. que se servem da verdade para ferir os outros, movidas pela maldade, inveja, despeito ou ódio. A caridade mostra quando se deve falar e quando se deve calar..

 

A Verdade e a Caridade têm que andar juntos- Nunca usar da verdade sem Caridade, ou pensar que pode haver Caridade fora da Verdade. Praticar a Verdade na Caridade.

 

 

2)        O silêncio é um mestre que ensina a usar bem as palavras.

 

Quem aprende a calar e a refletir profundamente sobre as verdades essenciais, saberá dar maior peso às próprias palavras.

 

Sem a capacidade de calar, a verdade fica privada do discernimento necessário e o testemunho enfraquece.

 

 

Oração:

 

“Ó Deus,

que perscrutais nossos corações,

concedei-nos a graça de expressarmos sempre

a verdade na caridade com palavras e atitudes.

Não permitais que nossa língua fira o próximo

com traições, maledicências e calúnias,

mas honremos o glorioso título de filhos de Deus

e o nome de cristãos.”