Aula 1066
Meus amigos, o falso testemunho e o perjúrio são
palavras contra a verdade emitidas publicamente e particularmente graves.
2477 O respeito à reputação das pessoas proíbe qualquer
atitude e palavra capazes de causar um prejuízo injusto. Toma-se culpado:
- de juízo temerário aquele que, mesmo tacitamente, admite como
verdadeiro, sem fundamento suficiente, um defeito moral no próximo.
- de maledicência aquele que, sem razão objetivamente
válida, revela a pessoas que não sabem os defeitos e faltas de outros.
- de calúnia aquele que, por palavras contrárias à
verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a
respeito deles.
2478 Para
evitar o juízo temerário, todos hão de cuidar de interpretar de modo favorável
tanto quanto possível os pensamentos. as palavras e ações do próximo.
Todo bom
cristão deve estar mais inclinado a desculpar as palavras do próximo do que a
condená-Ias. Se não é possível desculpá-las, deve-se perguntar-Ihe como as
entende; e se ele as entende mal, que seja corrigido com amor: e se isso não
basta, que se procurem todos os meios apropriados para que, compreendendo-as
corretamente, seja poupado.
(Catecismo da Igreja Católica)
Comentário:
- Falar mal do próximo é um pecado
muito comum que se reveste de diversas formas, mas sempre fere a justiça e a
caridade.
- O juízo temerário, ou seja,
julgar maio outro começa com a crítica, tão comum em qualquer ambiente. Com que
facilidade as pessoas interpretam fatos e palavras, concluem, julgam e condenam
umas às outras! Critica-se tudo e todos sem ter a função e nem os dados para
avaliar. A crítica muitas vezes toma-se um vício, um mau costume. Critica-se
literalmente Deus e todo mundo! Não são poupadas nem as pessoas mais dignas de
respeito.
É necessário desenvolver um sadio espírito de
crítica, para não se deixar enganar e saber discernir entre o bem e o mal.
Nessa recomendação está incluído também o exercício de auto-crítica pois como
ensina o Evangelho, é mais fácil ver o cisco no olho do irmão do que reconhecer
a trave no próprio olho. (Mt 7, 5).
- A maledicência consiste em revelar os
defeitos e faltas dos outros sem razões válidas.
Há circunstâncias em que é justo ou até obrigatório
revelar as faltas dos outros, para evitar prejuízo injusto. Um exemplo é a
necessidade de desmascarar trapaceiros, impedindo que continuem enganar os
outros.
A maledicência é um pecado que pode chegar a ser
mortal e causar grandes prejuízos no relacionamento. Infelizmente, ocorre muito
no seio da família, do trabalho, do grupo de amigos, motivado pelo
ressentimento ou pela inveja. O invejoso costuma baixar o outro para se sentir
superior. Facilmente passa da maledicência à calúnia.
Às vezes não se fala abertamente do outro, mas
fazem-se insinuações maldosas através de silêncios, sorrisos, reticências.
Ninguém se iluda dizendo: "Eu não falei nada. A maldade está na cabeça de
quem pensou. . .D Deus vê o coração e julga a intenção.
A maledicência é feita contra quem não está presente
e se a pessoa chega, faz-se silêncio covardemente.
Dizia-se de Santa Teresa d'Ãvila-quelqUal1do ela
estava presente, todos tinham as costas garantidas.
Assim também deve agir todo bom cristão.
A calúnia é atribuir uma falta a uma pessoa
inocente. Além de falta à caridade e à justiça, é uma mentira. É arma muito
usada pelas pessoas mesquinhas e sem caráter, freqüentemente por vingança e
ciúme. A calúnia sempre deixa conseqüências e nunca pode ser completamente
reparada, porque é mais fácil acreditar no mal do que no bem acerca dos outros.
O cristão deve fugir desses pecados. Se for vítima de
tais coisas, não se deixe levar pelo rancor e ressentimento. Disse Jesus: “Amai
vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem”.
(Mt 5, 44).
Resumo:
2507 O
respeito à reputação e à honra das pessoas proíbe toda atitude ou palavra de
maledicência ou calúnia.
(Catecismo da Igreja Católica)
Para refletir:
1)
Amigo ouvinte, um modo de se
alimentar a maledicência é ouvi-la. “Nenhum boato iria à frente se não houvesse
um ouvido pronto para recebê-Io” .
Assim como quem compra o produto do roubo é cúmplice
do ladrão, quem dá ouvidos à maledicência e calúnia participa dela.
2) Nunca nos esqueçamos da Palavra de
Jesus:
“Não
julgueis e não sereis julgados. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis
também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis
medidos." (Mt 7, 1-2).
Portanto,
com a nossa conduta agora estamos preparando nosso julgamento final.
Oração:
“Senhor,
quem há de morar em vosso tabernáculo? Quem habitará em vossa
montanha
santa? O que vive na inocência e pratica a justiça, o que pensa o que é reto no
seu coração, cuja língua não calunia. O que não faz mal a seu próximo, e não
ultraja seu semelhante. O que tem por desprezível o malvado, mas sabe honrar os
que temem
a
Deus. O que não retrata juramento mesmo com dano seu. Aquele que assim proceder
jamais
será abalado".
(Salmo
14.- 1-4--5b ).
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