Aula 1058
Meus amigos, a esmola dada aos pobres é um
testemunho de caridade fraterna: é também uma prática de justiça que agrada a
Deus.
2448 "Sob suas múltiplas formas
- extrema privação material, opressão injusta, enfermidades físicas e psíquicas
e, por fim, a morte - a miséria humana é o sinal manifesto da condição natural
da fraqueza em que o homem se encontra após o primeiro pecado e da necessidade
de uma salvação. É por isso que ela atrai a compaixão de Cristo Salvador, que
quis assumi-Ia sobre si, identificando-se com os 'mais pequeninos entre seus
irmãos'. É também por isso que todos aqueles que ela atinge são objeto de um
amor preferencial por parte da Igreja que, desde as suas origens, apesar das
falhas de muitos de seus membros, não deixou nunca de se esforçar por
aliviá-los, defendê-Ios e libertá-Ios. Ela o faz através de inúmeras obras de
beneficência, que continuam a ser, sempre e por toda parte,
indispensáveis".
2449 Já no Antigo Testamento, todas
as medidas jurídicas (ano de perdão, proibição de empréstimo a juros e da
manutenção de penhora, obrigação do dízimo, pagamento pontual ao trabalhador
diarista, direito de rebusco nas vinhas e respiga nos campos) são uma resposta
à exortação do Deuteronômio: "Nunca deixará de haver pobres na terra; é
por isso que eu te ordeno: abre a mão em favor de teu irmão, de teu humilde e
de teu pobre em tua terra" (Dt 15, 11 ). Jesus faz suas essas palavras:
"Sempre tereis pobres convosco; mas a mim nem sempre tereis" ( Jo 12,
8). Dessa forma: ele não deixa caducar a veemência dos oráculos antigos:
"Para comprarmos o fraco com prata e o indigente por um par de
sandálias..." (Am 8,6), mas ele nos convida a reconhecer sua presença nos
pobres, que são seus irmãos:
No dia em que sua mãe a repreendeu por manter em casa pobres e doentes,
Santa Rosa de Lima lhe replicou: "Quando servimos os pobres e doentes,
servimos a Jesus. Não nos devemos cansar de ajudar o próximo, porque neles é a
Jesus que servimos".
(Catecismo
da Igreja Católica)
Comentário:
- "Pelo
desapego das riquezas, que possibilita a partilha e abre ao Reino, os
discípulos de Jesus testemunham, através do amor aos pobres e aos infelizes, o
próprio amor do Pai, que se manifestou no Salvador. Esse amor vem de Deus e
leva a Deus. Os discípulos de Cristo sempre reconheceram nos dons depositados
sobre o altar um dom oferecido ao próprio Deus.
Amando os pobres, enfim, a Igreja
testemunha a dignidade do homem. Ela afirma claramente que este vale mais
pelo que é do Que pelo que possui. Ela testemunha que essa dignidade não
pode ser destruída, seja qual for a situação de miséria, de desprezo, de
rejeição e de impotência a que o homem foi reduzido. Ela se mostra solidária
com aqueles que não contam para uma sociedade da qual se vêem espiritual e às
vezes até mesmo fisicamente rejeitados. De modo particular, a Igreja volta-se
com afeto materno para os filhos que, por causa da maldade humana, nunca virão
à luz, como também para as pessoas idosas, sós ou abandonadas."
(Instrução
sobre a liberdade cristã e a libertação, 68)
"A
opção ou amor preferencial pelos pobres. Trata-se de uma opção, ou de uma forma
especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a
Tradição da Igreja. Ela concerne à vida de cada cristão, enquanto deve ser
imitação da vida de Cristo; mas aplica-se igualmente às nossas
responsabilidades sociais e, por isso, ao nosso viver e às decisões que temos
de tomar, coerentemente, acerca da propriedade e do uso dos bens.
É
necessário recordar mais uma vez o princípio típico da doutrina social
cristã: os bens deste mundo são originariamente destinados a todos. O
direito à propriedade privada é válido e necessário, mas não anula o valor de
tal princípio. Sobre a propriedade, de fato, pesa, 'uma hipoteca social,
quer dizer, nela é reconhecida como qualidade intrínseca uma função social,
fundada e justificada precisamente pelo princípio da destinação universal dos
bens. Nem se há de descurar, neste empenho pelos pobres, aquela forma
especial de pobreza que é a privação dos direitos fundamentais da pessoa, em
particular do direito à liberdade religiosa e, ainda, do direito à iniciativa
econômica".
(João
Paulo 11- Solicitude social, 42)
Resumo:
2463 Na
multidão de seres humanos sem pão, sem teto, sem terra, corro não reconhecer
Lázaro, mendigo faminto da parábola? Corro não ouvir Jesus que diz: "Foi a
mim que o deixastes de fazer" (Mt 25, 45)?
(Catecismo
da Igreja Católica)
Para refletir:
1) Amigo
ouvinte, “em continuidade com as Conferências de Medellín e de Puebla, a Igreja
reafirma a opção preferencial pelos pobres. Uma opção não exclusiva nem
excludente, pois a mensagem da salvação é destinada a todos. 'Uma opção, além
disso, baseada essencialmente na Palavra de Deus e não em critérios retirados
das ciências humanas ou em ideologias contrárias entre si, que freqüentemente
reduzem os pobres a categorias sócio-político-econômicas abstratas. Mas uma
opção firme e irrevogável' (Discurso aos Cardeais e Prelados da Cúria Romana,
21 de dezembro de 1984, 9).”
(João
Paulo 11- Discurso inaugural em Santo Domingo, 16)
2) O
amor aos pobres nos faz aprofundar o sentido da pobreza e buscar o
desprendimento interior de tudo o que possa ser obstáculo para o amor de Deus
em nossa vida.
Para quem
Deus é tudo, bem pouco é necessário.
Oração:
“Levantai-vos, Senhor!
Estendei a vossa mão, e não vos esqueçais dos pobres.
Por que razão o ímpio despreza a Deus e diz em seu coração:
'Não haverá castigo'?
Entretanto, vós vedes tudo; observais os que estão penando e
sofrendo,
afim de tomar a causa deles em vossas mãos.
É a vós que se abandona o infortunado, sois vós o amparo do
órfão.
Esmagai, pois, o braço do pecador e do perverso;
persegui sua malícia, para que não subsista.
O Senhor é rei eterno, as nações pagãs desaparecerão de seu
domínio.
Senhor, ouvistes os desejos dos humildes,
confortastes-Ihes
o coração e os atendestes.
Para que justiça seja feita ao órfão e ao oprimido,
nem mais incuta terror o homem tirado do pó.”
(Salmo 9, 33-39)
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