Aula 1056
Meus amigos,
Deus abençoa aqueles que ajudam os pobres e reprova aqueles que se desviam
deles. O cristão deve socorrer também às numerosas formas de pobreza cultural e
religiosa.
2445 O amor aos pobres é incompatível
com o amor imoderado das riquezas ou o uso egoísta delas:
Pois bem, agora vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que
estão para vos sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes estão
carcomidas pelas traças. O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados e a sua
ferrugem testemunhará contra vós e vos devorará as vossas carnes. Entesourastes
como que um fogo nos tempos do fim! lembrai-vos de que o salário, do qual
privastes os trabalhadores que ceifaram os vossos campos, dama, e os gritos dos
ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vivestes faustosamente
na terra e vos regalastes; vós vos saciastes no dia da matança. Condenastes o
justo e o pusestes à morte: ele não vos resiste (Tg. 5,1-6).
2446 São João Crisóstomo lembra essa
verdade em termos vigorosos: “Não deixar os pobres participar dos próprios bens
é roubá-Ios e tirar-lhes a vida. Nós não detemos nossos bens, mas os deles”. “É
preciso satisfazer acima de tudo as exigências da justiça, para que não
ofereçamos como dom da caridade aquilo que já é devido por justiça”.
Quando
damos aos pobres as coisas indispensáveis, não praticamos com eles grande
generosidade pessoal, mas lhes devolvemos o que é deles. Cumprimos um dever de
justiça e não tanto um ato de caridade.
(Catecismo da
Igreja Católica - 2445 e 2446)
Comentário:
- “O
maior mandamento da lei é amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si
mesmo (d. Mt 22, 37-40). Este mandamento de caridade para com o próximo, Cristo
o fez Seu e o enriqueceu com novo significado, querendo ser Ele próprio,
identificado com os irmãos, objeto desta caridade, ao afirmar: 'na medida em
que o fizestes a um dentre esses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes'
(Mt 25, 40). Pois Ele, ao assumir a natureza humana, uniu a si numa família
todo o gênero humano por uma espécie de solidariedade sobrenatural, e
constituiu como sinal de seus discípulos a caridade, por estas palavras: 'Nisto
reconhecerão todos que sois discípulos meus, se tiverdes amor uns para com os
outros' (Jo 13, 35).
Para que o
exercício desta caridade esteja acima de qualquer crítica e se apresente como
tal: olhe-se no próximo a imagem de Deus, segundo a qual foi criado, e o Cristo
Senhor, a quem na realidade se oferece o que é dado ao indigente; respeite-se
com a maior delicadeza a liberdade e a dignidade da pessoa que recebe o
auxílio; não se desdoure a pureza de intenção com nenhuma procura de vantagem
pessoal ou desejo de dominar; satisfaçam-se em primeiro lugar as exigências da
justiça, para que não se dê como caridade o que já é devido a título de
justiça; eliminem-se as causas dos males, não só os efeitos; seja encaminhada a
ajuda de tal maneira que, os que a recebem, pouco a pouco se libertem da
depend6nc:ia externa e se tomem auto-suficientes.
Os leigos
prestigiem e ajudem, na medida de suas forças, as obras de caridade e as
iniciativas de assistência social, sejam particulares ou públicas, e mesmo
internacionais, por meio das quais se leva auxílio eficiente aos indivíduos e
povos em necessidade. Neste campo cooperem com todos os homens de boa vontade.”
(Apostolicam
Actuositatem, 8)
- “O
amor ao homem e em primeiro lugar ao pobre, no qual a Igreja vê Cristo -
concretiza-se na promoção da justiça.
Para se
cumprir a justiça e serem bem sucedidas as tentativas dos homens para realizá-la,
é necessário o dom da graça que vem de Deus. Por meio dela, em colaboração com
a liberdade dos homens, obtém-se aquela misteriosa presença de Deus que é a
Providência. .
(João Paulo II
- Centesimus annus, 58 e 59)
Resumo:
2462 A esmola dada aos
pobres é um testemunho de caridade fraterna: é também uma prática de justiça
que agrada a Deus.
(Catecismo da
Igreja Católica)
Para refletir:
Amigo ouvinte,
no século IV São Basílio ensinava:
1) “O
que reténs, pertence a quem tem fome. 0 manto que guardas em tuas arcas,
pertence aos que andam despidos. Os calçados que apodrecem em tuas gavetas,
pertencem aos descalços. É do indigente o dinheiro escondido em teus cofres.”
Essas palavras continuam atuais.
2) "Será
necessário abandonar uma mentalidade que considera os pobres - pessoas e
povos - como um fardo e corno importunos, que pretendem consumir tudo o que os
outros produziram. Os pobres pedem o direito de participar no usufruto dos bens
materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um
mundo mais justo e mais próspero para todos. A elevação dos pobres é uma grande
ocasião para o crescimento moral, cultural e até econômico da humanidade
inteira.”
(João Paulo
11- Centesimus annus, 28)
Oração:
Ó
Deus,
sempre nos
preceda e acompanhe a vossa graça
para que
estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer .
Por nosso
Senhor Jesus Cristo vosso Filho
na unidade do
Espírito Santo. Amém.
(Oração – 28ºO
domingo do Tempo Comum)
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