Com 98% de chances de cair para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o Fluminense conseguiu escapar na última rodada. Para muitos torcedores, foi um verdadeiro milagre. No dia 4 de setembro uma missa já havia sido realizada, aos pés do Santuário Cristo Redentor, para pedir a recuperação da equipe no campeonato. Após chegar à final da Copa Sul-Americana e paralelamente escapar do rebaixamento, os torcedores e membros do clube voltaram ao Santuário nesta quarta-feira, dia 9 de dezembro, para agradecer “o milagre tricolor”.
A Missa em Ação de Graças foi celebrada, assim como em setembro, por dois padres tricolores: presidiu o Padre Alberto Gonzaga, Pároco da Igreja de Santa Edwiges, em Brás de Pina, e concelebrou o Padre Julio César Costa, Pároco da Paróquia Santo André, em São Cristóvão. Participaram o Presidente da Cedae, Wagner Victer, quem encomendou as celebrações no Cristo, e o ex-presidente do Clube das Laranjeiras, Francisco Horta. Também estiveram presentes muitos torcedores, que mesmo com a forte chuva subiram ao alto do Corcovado para agradecer.
- A Missa de comemoração tinha que ser também uma aventura, assim como foi o campeonato inteiro para nós, brincou Marcio Fontes, torcedor fanático pelo Clube.
Como tricolor de coração, Padre Alberto explicou que o Fluminense é o único Clube que tem no seu Hino as três virtudes teologais - a fé, a esperança e a caridade - e isso fez com que o torcedor do Fluminense acreditasse na sua permanência na primeira divisão do Campeonato, mesmo com todos os fatores contrários a isso. Durante a missa, ele destacou a importância de agradecer a Deus os pedidos realizados.
- Conseguimos um feito que muitos não acreditavam. Mesmo sem o título, queremos agradecer a Deus. Essa é a virtude da pessoa simples: a gratidão. Queremos agradecer porque um dia pedimos, disse Padre Alberto.
Ao final da cerimônia, o Padre Julio César realizou a bênção por interseção de Nossa Senhora da Glória, padroeira do Time Tricolor. Todos foram abençoados com a Água Benta enquanto cantavam a famosa música da torcida tricolor que pede bênçãos ao Papa João Paulo II.
O ex- presidente do clube, Francisco Horta, explicou para o Portal da Arquidiocese a origem do canto “João de Deus”.
- No final dos anos 80, um time combinado brasileiro foi à Itália em solidariedade a uma tragédia que tinha matado mais de seis mil pessoas no país. Uma das vitimas era a mãe do Presidente da Federação Italiana de Futebol. Rapidamente organizei um combinado de bons jogadores para um jogo gratuito. Então, eu solicitei uma audiência privada com o Papa João Paulo II. Toda a delegação, a maioria fluminense, participou. Na hora que o goleiro Félix entregou com o Zico a bola do jogo ao Papa, o Ximbica, um dos melhores roupeiros do futebol, tirou da mala a camisa do Fluminense e colocou para que o Papa a benzesse. Ali surgia essa crença tricolor com o João Paulo II. |