Para o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, que ministrou a palestra de abertura deste segundo dia de Muticom, o Mutirão de Comunicação pode contribuir para a construção de um novo mundo, por transmitir uma mensagem de esperança — anunciada ao longo dos séculos — que agora vê a possibilidade de ser amplificada pelos meios de comunicação.
Durante a exposição, à luz do tema “Novos cenários políticos e sociais e processos de comunicação”, a metáfora sobre a composição do espaço cênico no teatro foi usada para explicar como se formaram os cenários na América Latina.
Momentos históricos importantes, como a colonização das Américas e a exterminação dos povos que aqui existiam, no primeiro ato, foram citados para ilustrar o surgimento e a construção do Capitalismo. O destaque foi para a realidade de que a cultura, a tecnologia e as armas dos colonizadores acabaram por esmagar a cultura local, de forma que, desde então, as pessoas que estão à margem do sistema capitalista passaram a não ter voz e nem vez.
— O povo da roça, o índio, ao perderem suas tribos perdem também sua identidade, sua auto-estima, ficam envergonhados, tornam-se “caipiras”, explicou o conferencista.
A crise da hegemonia holandesa e a emergência da economia inglesa, no final do século XVIII, marcam o término desse primeiro ato. No segundo ato, há a incidência das conseqüências da ideologia liberal implantada, como a queda da monarquia, o fim do regime escravista, a independência de alguns países na América e a instalação de um capitalismo mais moderno.
O terceiro ato, de acordo com o sociólogo, teve início com a crise do sistema capitalista no final do século XIX e a passagem da hegemonia da Inglaterra para os Estados Unidos. A grande mudança apontada foi o surgimento de um novo ator em cena: os movimentos sociais, mais precisamente na segunda metade do século XX. De acordo com Pedro Ribeiro, a emergência dos movimentos sociais teve berço na cultura popular, passada de pessoa a pessoa, de geração a geração, realizada de forma coletiva e anônima, em mutirão, através do qual eram formadas consciências de que “outro mundo é possível”. Os mutirões passaram a proporcionar tomadas de posição aos movimentos sociais, trazendo à tona a grande novidade: a proposta da construção de um sistema solidário.
A expressão dos movimentos sociais passa a se dar, de acordo com o sociólogo, pela consciência planetária, ecológica. E, neste século, marcado pela busca de recursos naturais, o desafio que começa a emergir é: seremos capazes de superar a competição pela cooperação entre os povos? Pedro Ribeiro aposta que pensar planetariamente e agir localmente, acreditando “naquele que não tem força”, é um meio para se atingir uma meta maior, importante para este momento histórico: a partilha dos recursos naturais.
* Foto de Danilo Marinho |